Todos estavam passando com sua pressa, suas lidas, suas buscas. Uma multidão de rostos. Rostos múltiplos. Cansados, inquietos, aflitos, quando não impassíveis. Em comum mesmo tinham a indiferença com que não se viam. Tudo, portanto, na mais perfeita ordem. É assim o centro de uma cidade daquele porte num dia útil. Cada um com seus problemas para resolver, suas contas a pagar... A vida tem que ser ganha.
_ Filho meu tem que saber proceder!
Berrou alguém perturbando a paz daquele cenário. Um homem na massa de passantes, que lhe olhou perplexa e confusa, procurando compreender a razão do escarcéu.
_ Não criei filho pra isso! Essa vergonha minha família nunca teve. Não é agora que vai ter.
Ao seu lado só um rapaz, desconcertado, que lutava para disfarçar as lágrimas que insistiam em lhe iluminar os olhos, enquanto entre gestos desajeitados e frases desconexas, ensaiava uma argumentação que aplacasse a fúria do pai. Esforço vão.
_ Calado! Que isso não tem explicação – disse com a mão erguida ameaçando bater.
Alguns dos passantes concordavam com a sua atitude. Pai é para isso mesmo. Deve corrigir, ensinar o que é certo, diziam. Outros eram solidários com o rapaz. Achavam que a bronca deveria ser dada em casa, na intimidade do lar. Ali, na rua não. Era vergonhoso demais para o menino. É verdade que o gritinho que ele deu, ao se assustar com o choque de dois carros, não foi nada másculo, mas também não era pra tanto.
_ Eu já ouvi os vizinhos falando umas coisas suas, desse seu jeitinho. Mas eu estou lhe avisando: ou você se concerta ou eu lhe dou um jeito. Que isso pra mim é safadeza, falta de vergonha.
O moço não sabia mesmo como se defender. Desistiu, resignou-se. Restou-lhe somente esperar que o pai se acalmasse. Nada mais.
Aos poucos, os berros foram se tornando resmungos e os dois foram voltando ao anonimato dos passantes, seguindo na direção a que se propuseram antes do incidente. E as pessoas foram deixando de lhes prestar atenção. Tinham mais o que fazer. O jovem, entretanto, constrangido e magoado sentia a culpa de ter causado tudo aquilo e prometia a si mesmo que dali por diante seria homem. Aprendera: nunca mais se assustaria!
_ Filho meu tem que saber proceder!
Berrou alguém perturbando a paz daquele cenário. Um homem na massa de passantes, que lhe olhou perplexa e confusa, procurando compreender a razão do escarcéu.
_ Não criei filho pra isso! Essa vergonha minha família nunca teve. Não é agora que vai ter.
Ao seu lado só um rapaz, desconcertado, que lutava para disfarçar as lágrimas que insistiam em lhe iluminar os olhos, enquanto entre gestos desajeitados e frases desconexas, ensaiava uma argumentação que aplacasse a fúria do pai. Esforço vão.
_ Calado! Que isso não tem explicação – disse com a mão erguida ameaçando bater.
Alguns dos passantes concordavam com a sua atitude. Pai é para isso mesmo. Deve corrigir, ensinar o que é certo, diziam. Outros eram solidários com o rapaz. Achavam que a bronca deveria ser dada em casa, na intimidade do lar. Ali, na rua não. Era vergonhoso demais para o menino. É verdade que o gritinho que ele deu, ao se assustar com o choque de dois carros, não foi nada másculo, mas também não era pra tanto.
_ Eu já ouvi os vizinhos falando umas coisas suas, desse seu jeitinho. Mas eu estou lhe avisando: ou você se concerta ou eu lhe dou um jeito. Que isso pra mim é safadeza, falta de vergonha.
O moço não sabia mesmo como se defender. Desistiu, resignou-se. Restou-lhe somente esperar que o pai se acalmasse. Nada mais.
Aos poucos, os berros foram se tornando resmungos e os dois foram voltando ao anonimato dos passantes, seguindo na direção a que se propuseram antes do incidente. E as pessoas foram deixando de lhes prestar atenção. Tinham mais o que fazer. O jovem, entretanto, constrangido e magoado sentia a culpa de ter causado tudo aquilo e prometia a si mesmo que dali por diante seria homem. Aprendera: nunca mais se assustaria!
2 comentários:
Achei muito bom, mas prefiro tecer meu humilde comentário via e-mail. Continue assim meu caro e sucesso sempre!
Parabéns!
òtimo texto!
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