terça-feira, 15 de novembro de 2011

(...)

No tempo em que meus olhos nos teus cabiam, minha vida na tua não era só lembrança. Agora, porém, me vês apenas de soslaio,  e os teus olhos já não vejo.
Mas se os meus tu novamente fitares, dirão:
- “volta”,
e se tu então escutá-los
 – Escuta-os! –,
haverá mais que lembranças e minha vida, de novo na tua, será completa.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

[ ]

Nem aqui nem ali, estou sempre em mim mesmo pra não me perder.
Não tenho espelhos, rasguei os mapas e não quero rotas.
Olho calmo meus pés e uma estrada incômoda. Às vezes há uma ânsia, vez ou outra, um vício. É tudo um círculo, uma volta, mas eu fico. Nem sina nem cisma, um princípio.
E além do batente um mundo imenso.
Fecho os olhos, esqueço...
Um precipício.
Quem sou eu?!... Quem sou?!...
Quem souber morre.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

o que quero

estou no tempo como que perdido
e não sei quem sou
sei que dessa vida quero coisas poucas
[que são tantas
um lugar, um descansar e um sorriso calmo
qualquer noite fria de luar e um abraço cheio
me repartir em um só pra ser dois com quem de mim se faça outra parte,
ainda que não me seja igual
uma saudade pra doer de madrugada na cama sem companhia
e uma dor de cotovelo, tênue, sem sobressaltos, pra não esquecer que é possível perder
um corpo nu em conjunção com o meu pr'eu esquecer que sou só
uma música bonita que faça recordar coisas sonhadas
plena de pausas de pequenos sons inaudíveis
e estar sendo
e ir sem chegar
e ficar
e,
depois de mais nada,
nem ser nem estar
nem saber]
.



sábado, 30 de julho de 2011

O que tenho

Se eu tivesse um verso e poeta fosse,
talvez te cativasse,
mas tudo em mim é silêncio e ausência
- incapacidade de ser
O que possuo não te serve.
Só posso espreitar-te, olhar-te
e transcendido de desejo esgotar-me
nessa vontade de ti que não passa.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Formas de dizer

Desde que nasci, o que se fez sem que de mim considerassem anuência ou discordância, cumpro a sina de existir sem tréguas. E, porque, às vezes, disso me canso, e agora já não mais tenho a inocência da criança que brinca de colorir qualquer papel numa insistência teimosa de dar ao mundo feições da alegria própria de quem se encanta, procuro fazer com palavras parcas, pois delas sei pouco, uma aquarela de meus dias, inventando aquilo que não há, em realidades que não são, de coisas que nunca vi, mas que imagino.
Por isso, peço que não me levem tão a sério, não tenho pretensões, aqui não há oficio, só repouso, um lugar pra minh’alma descansar. Quando posso, me arrisco entre palavras, mas se elas não me valem, falham ou findam, não há em mim tristeza ou dor. Tenho aprendido, caros amigos, quase já sei, que nem sempre pronúncias são possíveis, há vezes, e são tantas, apenas no silêncio é que cabemos. Nessas  formas de dizer nos movemos, existimos e somos. O mais é espera.